Mãe de autista cria aplicativo acessível para pessoas com TEA

Facilitar o acesso da comunidade autista a profissionais, serviços e oportunidades é o
objetivo do aplicativo Rede Azul, já disponível para uso em todo o país. Idealizado por
Elaine Marques — mãe de uma garota com TEA (Transtorno do Espectro Autista) que
mora em Indaiatuba (SP) — o app é colaborativo, permitindo que pessoas façam e
também avaliem indicações já presentes na aplicação. Em um mês de existência já é
utilizado por usuários de 17 estados brasileiros.
A motivação de Elaine Marques para desenvolver o aplicativo surgiu dos obstáculos que
ela enfrenta com a filha Alícia Nicol Marques, de 17 anos de idade, diagnosticada com
Síndrome de Asperger, nível leve do TEA. Desde o diagnóstico, Elaine lida com
dificuldades em buscar tratamentos, medicamentos e ensino adequado. Então, pensou
que, assim como ela, outras famílias deveriam passar pelos mesmos problemas, dando
início à criação do app.
Lançado em dezembro na Google Play Store, o Rede Azul teve sua distribuição
realizada em etapas, começando por municípios da Região Metropolitana de Campinas
(RMC). Até o momento, totalizam-se mais de 640 usuários ativos. Atualmente, o app
dispõe profissionais e estabelecimentos em 14 categorias, entre elas, escolas, terapias,
estética, igreja, turismo e jurídico. Uma novidade é a aba Famílias do TEA que
pretende criar uma rede de apoio entre familiares que, muitas vezes, precisam trabalhar
em casa, a fim de cuidar de pessoas com TEA. Futuramente, será implantado um
sistema de selos físicos, que serão fixados nos locais com melhores avaliações.

APP COLABORATIVO

O Rede Azul é construído a partir de experiências. Dessa forma,
os usuários que frequentam locais ou utilizam serviços amigáveis à comunidade autista
deixam suas indicações no app — denominados Pontos Azuis. Assim, outras pessoas
podem consultar, vivenciar e, depois, também deixar sua avaliação. Com todas essas
informações, checadas por moderadores, o aplicativo calcula uma média de nota para
cada indicação. Futuramente, Elaine Marques implementará selos físicos, que serão
fixados em estabelecimentos bem avaliados.

TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA

A estimativa é de que existam 2 milhões de
pessoas com algum nível do TEA no Brasil. O índice é estimado porque ainda não
existem dados oficiais sobre a comunidade no país. Contudo, isso irá mudar em breve.
Em julho de 2019, foi sancionada a Lei nº 13.861/2019 que solicita a inclusão de
informações sobre pessoas com TEA nas pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística). Mas, enquanto isso, pessoas com TEA seguem à procura de
inclusão.
As primeiras diferenças que Alícia Nicol Marques tinha em relação às outras crianças
foram percebidas pela mãe aos 7 anos de idade. O diagnóstico, todavia, não foi tão fácil
assim. “Até os 12 anos de idade, que foi quando conseguimos que ela fosse
diagnosticada corretamente, os médicos diziam que ela tinha uma série de transtornos
diferentes e receitavam remédios e tratamentos que não a ajudavam. Após essa fase,
iniciamos uma outra luta: a busca por serviços e profissionais adequados para que ela
pudesse se desenvolver”, conta a CEO do Rede Azul, Elaine Marques.

DESENVOLVIMENTO

O Rede Azul tem apoio da Agência Blues Propaganda que criou
toda identidade visual do aplicativo e assessoria jurídica da Law.Sa Advocacia e é
desenvolvido pela agência Firefish, com apoio de um investidor-anjo.

INFORMAÇÕES

Aplicativo Rede Azul
Sistemas suportados: Android (em breve IOS)
Área de cobertura: disponível em todo o País
Link para download: clique aqui
Redes sociais: Facebook @redeazulapp e Instagram @redeazulapp

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