Daguerreótipo era uma caixa enorme que capturava a imagem através da lente e a gravava sobre o vidro / Foto Reprodução site Toda Matéria

Daguerreótipo era uma caixa enorme que capturava a imagem através da lente e a gravava sobre o vidro / Foto Reprodução site Toda Matéria

Por Débora Damasceno 

  No ano 350 A.C o filósofo Grego Aristóteles criou a câmara escura. Anos depois, outros pesquisadores melhoraram a criação tornando a câmera fotográfica. Aristóteles tinha como objetivo analisar eclipses. Com o decorrer dos anos artistas como Leonardo da Vinci usou a câmara escura para auxiliar nas pinturas, porque quando a luz entrava pelo pequeno orifício da caixa que era completamente escura refletia em seu interior o objeto que estava em foco. Neste momento se tinha dado um grande passo, e o próximo objetivo era fixar a imagem em uma superfície permanente.

Em 1826 na Europa um dos estudiosos do invento que conseguiu fixar a imagem em uma superfície foi Joseph N. Niépce em paralelo com Louis J. M. Daguerre. No Brasil no ano de 1830 Hércules Florence, um francês que morava na Vila de São Carlos já pesquisava formas de fixar as imagens na câmara escura. Com sucesso de pesquisa em 1833 foi reconhecido como o ano da descoberta da fotografia no Brasil, pois Florence desenvolveu o negativo e cunhou o termo “photographie”.  A descoberta da autoria de Hércules como inventor só veio a público no ano de 1976 com o historiador  Boris Kossoy que apresentou as anotações aos órgãos dos Estados Unidos que creditaram o invento a Hércules .

A técnica da fixação da imagem em placas de cobre foi vendida para o governo Francês. O Daguerreótipo foi o nome dado a câmera fotográfica que era formada por uma caixa de madeira e estojo onde colocava a placa sensibilizada com produtos químicos para realizar a foto era necessário que a pessoa se mantivesse imóvel de 10 a 20 minutos por foto, sem possibilidade de fazer cópias da mesma.

No Brasil Dom Pedro II teve contato com a invenção do Daguerreótipo e encomendou dois para o Brasil possibilitando a disseminação da prática de fotografar lugares, pessoas e paisagens. O Rei trouxe profissionais da  Europa para as escolas de fotografia que estavam sendo montadas no Brasil. Desde então nunca mais parou de registrar momentos com belas imagens eternizadas por essa grande invenção.   O Brasil hoje possui um dos maiores e mais ricos acervos de imagens históricas da época, feitas pelo próprio rei e pelos apaixonados pela arte. A Abolição da escravatura, as guerras na Rússia foram momentos históricos marcados pelas imagens feitas.

Os estudos foram evoluindo desde a câmara escura 350 A.C, chapa de metal, o Calótipo em 1841(registrava o negativo), o Colódio Úmido 1851(negativo de vidro que era mais sensível a detalhes da imagem e tinha a possibilidade de cópias). Em 1888 a empresa Kodak possibilitou ao cidadão comum registrar imagens com uma câmera móvel com filmes negativos que poderiam ser revelados na mesma loja onde fosse comprada a câmera. Era um rolinho que vinha com 100 negativos que poderiam ser trocados por novos quando o anterior terminasse.

 

Com o decorrer do tempo, o registro se tornou cotidiano aos cidadãos. O mais recente desenvolvimento da fotografia foi os pulsos elétricos que formam a imagem e armazenam no cartão de memória. Esses recursos se alastraram e passaram a ser comuns a todos por meio de câmeras e celulares móveis.  Saímos da fotografia analógica e entramos na digital. O curioso é que qualquer registro que se faça hoje em dia é manipulável, mas a fotografia em seus primórdios e principalmente em meios políticos elas poderiam ser mexidas e modificadas, como exemplo o chefe da Rússia que solicitou que apagasse determinadas pessoas políticas de seus registros fotográficos.

 

Primeira fotografia feita no Rio pelo Capelão com um Daguerreótipo, mostra o chafariz do Mestre Valentim, no Jardim do Paço Imperial, atual Praça 15 / Foto: reprodução G1
Primeira fotografia feita no Rio pelo Capelão com um Daguerreótipo, mostra o chafariz do Mestre Valentim, no Jardim do Paço Imperial, atual Praça 15 / Foto: reprodução G1

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