Evento debate a consolidação do Porto Maravilha com a retomada imobiliária

 

Transformando a cidade para resolver problemas urbanos debate a revitalização do Porto Maravilha com a retomada imobiliária e a densificação do bairro de Vicente de Carvalho na Zona Norte
Série de workshops será realizada de 9 a 13 de março, em São Paulo, Rio, Niterói e Brasília, com participação de especialistas de atuação internacional

Partindo da necessidade de soluções inovadoras para a revitalização, a requalificação ou a reabilitação do Rio de Janeiro e de outras cidades brasileiras, será realizada, na semana de 9 a 13 de março, no Rio, Niterói, Brasília e São Paulo a série de workshops “Transformações Urbanas”. O evento contará com a participação de uma delegação da Holanda, que virá ao Brasil com o patrocínio do Consulado Geral dos Países Baixos no Brasil.

No dia 10, no Rio, o foco é a revitalização do Porto Maravilha, com o workshop “Desenvolvimento Imobiliário em Locais de Transformação Urbana”, que vai pensar como consolidar a região neste momento de retomada imobiliária e torná-la um lugar onde os cariocas queiram não apenas trabalhar e visitar seus incríveis museus, mas também morar.  É possível criar as parcerias tão necessárias entre os players?

O evento será realizado no coworking Studio, no edifício Aqwa, no Porto, com a presença de convidados como Renata Gilio, que está à frente da filial de São Paulo do escritório holandês Kaan Architecten e é responsável por planos de reconciliação urbana em São Bernardo do Campo, e Lodewijk Luken, do Superuse Studios, especialista em Economia Circular, um dos itens necessários para aprovação de projetos na Holanda, já que o país se prepara para a “transição energética” até 2050, quando todo o consumo de energia será feito sob formas renováveis.

Também participam acadêmicos das universidades locais, de membros do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) e de profissionais de construtoras e incorporadoras brasileiras, como TishmanSpeyer, Autonomy, Performance Opportunity, Odebrecht, Tegra/Brookfield e Performance.

Densificação no bairro de Vicente de Carvalho na Zona Norte
Ainda no Rio, no dia 11, no Hotel Intercity, será realizado o workshop “Densificação de Bairros Existentes”. Em debate, o bairro de Vicente de Carvalho, na Zona Norte. Na interseção entre a linha 2 do Metrô e o BRT, e portanto de fácil acesso para a Barra da Tijuca e o Centro, a região, que já tem um grande shopping, ganhou acessibilidade. Assim, crescem as possibilidades de densificação do ambiente urbano e se promove a sustentabilidade, na medida em que quanto mais pessoas tenham fácil acesso ao transporte público, menos elas vão usar carros.

Dentre os especialistas de atuação internacional que participam deste encontro está Luiz Santos, do Guller+Guller Urbanism, que atuou como líder do projeto do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, e do masterplan para o centro de Gotenburgo, na Suécia. Também estarão presentes profissionais da equipe da Supervia, da construtora MRV e o economista e incorporador imobiliário Fernando Cotelo.

O idealizador dos workshops, o arquiteto e urbanista brasileiro Rafael Saraiva, que fez mestrado na Holanda e hoje trabalha no país, prestou consultoria para o projeto do Porto Maravilha de 2016 a 2018. Ele explica que as cidades holandesas estão passando por grandes transformações através de projetos urbanos, que surgem da necessidade de resolver questões econômicas, sociais ou ambientais:

“O Rio de Janeiro é muito maior que qualquer cidade holandesa, mas aqui só temos um projeto de transformação urbana, o da Região Portuária, enquanto lá, cada parte da cidade tem um plano de intervenção. Percebi que as cidades brasileiras estão se transformando muito pouco, ou quase nada, e comecei uma pesquisa”, conta ele.
Saraiva destaca que o problema das inundações, por exemplo, tem tudo a ver com essa discussão:

“Se você olha no Maps do Google, vai ver que as cidades brasileiras são todas de concreto. Na Holanda, nos miolos das quadras, via de regra, há uma área verde. Eles sempre tiveram o problema de escoamento de água, porque o país fica abaixo do nível do mar. Lá, é tudo aterro, mas os holandeses desenvolveram know-how em captar, armazenar e escoar água durante fortes tempestades. Aqui, temos um Plano Diretor que não funciona”.

Uma das integrantes da equipe que vem da Holanda e participa de todos os workshops é a arquiteta cearense Hercilia Borges. Especialista em projetos urbanos, ela mora há 15 anos em Roterdã, onde trabalha na prefeitura com aprovação de projetos.

“As cidades holandesas são pró-ativas no planejamento da transformação urbana. As prefeituras não ficam esperando as construtoras apresentarem projetos; elas criam projetos e buscam construtoras para executarem. Criam oportunidades de investimentos, dando aos construtores e incorporadores todo o apoio que for preciso, como em desapropriações, consultas populares etc. Hercília está envolvida no plano de transformação da Kop Van Zuid, margem sul de Roterdã, uma antiga área portuária, como é o caso do Porto Maravilha, hoje já revitalizada”, conta Saraiva.

Os encontros terão início na parte da manhã, com uma visita guiada, e as conversas serão na parte da tarde, de 14h às 18h.

“Queremos trocar ideias com as construtoras e incorporadoras, porque no fim das contas são elas que constroem as cidades, que estão em contato direto com as secretarias de urbanismo. O objetivo é influenciar, mostrar que o processo de renovação não é uma utopia; é totalmente viável”, explica o organizador.

Durante os encontros, os participantes produzirão croquis, fotomontagens, diagramas e outros elementos gráficos para dar suporte às conversas, e este material, junto com artigos, entrevistas e ensaios, constará de um livro que será lançado em evento paralelo ao 27º UIA, o Congresso Mundial de Arquitetos, em julho de 2020, no Rio. O material também dará origem à exposição “Transformações Urbanas”, durante a semana de 19 a 23 de julho.

Para a série de workshops, as inscrições, gratuitas, podem ser feitas pelo e-mail rafaelsaraiva@hotmail.com, mas o número de vagas é limitado.

Mini bio dos participantes:

Rafael Saraiva
Graduou-se pela Faculdade de Arquitetura da UFRJ em 2003 e fez pós-graduação em Urbanismo na TU Delft, em 2009-2010. Na Holanda, trabalhou para as empresas Atelier Kempe Thill, KCAP e MLA+, onde foi arquiteto associado de 2014 a 2019, responsável pelos projetos na América Latina. Desde 2017, é conselheiro de urbanismo do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ). Na MLA+ foi líder de projeto do Plano de Ativação do Porto Maravilha (2016-2018) e na Raiar Engenharia projetou todas as fachadas dos edifícios da Vila Olímpica do Rio (2012-2014). Foi premiado pela fundação suíça Holcim em 2008 pelo plano urbanístico para a área do Maracanã.

Renata Gilio, do Kaan Architecten:
Sócia do escritório, à frente da filial de São Paulo, a brasileira Renata Gilio é responsável por vários projetos na área educacional no Brasil, como o prédio da Faculdade de Medicina da Universidade Anhembi-Morubi, em São José dos Campos, além de planos de reconciliação urbana em São Bernardo do Campo. A Kaan, com escritórios em Roterdã, São Paulo e Paris, é uma das maiores empresas de arquitetura da Holanda, conhecida por seus projetos extremamente minimalistas. Entre seus projetos mais importantes, podemos citar o edifício da Suprema Corte holandesa em Haia, a embaixada da Holanda em Moçambique, o projeto do futuro edifício mais alto de Roterdã (com 60 andares) e o plano urbanístico para o bairro de La Defense, em Paris.

Hercília Borges, da Prefeitura de Roterdã
Arquiteta graduada pela Universidade Federal do Ceará, Hercília trabalha na Holanda desde 2002, tendo passado por grandes empresas como a Mei Architecten, KAW e Kraaijvanger Urbis. Em 2012, ingressou no serviço público holandês, atuando na aprovação de projetos de arquitetura e urbanismo em diversos municípios, e desde 2018 na prefeitura de Roterdã, atuando em grandes projetos, como o plano de transformação da Kop Van Zuid, antiga área portuária na margem sul de Roterdã, e o do ar ranha-c& eacute;u que será construído anexo à antiga sede dos Correios.

Luiz Santos, do Guller+Guller Urbanism
Arquiteto graduado pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduado pela Universidade do Porto, em Portugal, Luiz Santos trabalha ha 14 anos na empresa Guller+Guller, tendo atuado como líder do projeto do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, e o masterplan para o centro de Gotenburgo, na Suécia. A empresa ficou conhecida por ser especialista em planejamento de aeroportos e seus entornos, as chamadas “Cidades-Aeroportos”, tendo desenvolvido projetos para os aeroportos Charles de Gaulle, Orly e Biarritz, na França, os aeroportos de Zurique, Basel e Genebra, na Suíça, além dos aeroportos de Amsterd&atil de; e Le lystad na Holanda. O Guller+Guller possui escritórios em Roterdã e Zurique.

Lodewijk Luken, do Superuse Studios
Arquiteto graduado pela Universidade Técnica de Delft, Lodewijk Luken trabalhou no consulado da Holanda no Rio de Janeiro pesquisando os projetos brasileiros no campo da Economia Circular. No Rio, criou um projeto de desenvolvimento para a Ilha de Paquetá dentro do conceito de “circularidade” e fez parte da equipe da consultoria Atelier Metropolitano, do urbanista Jorge Mario Jauregui, atuando em projetos para comunidades locais. A empresa Superuse é especialista em projetos de arquitetura e urbanismo pensados conforme os conceitos e estratégias da Economia Circular, que atualmente é um dos itens necessários para aprov aç ;ão de projetos na Holanda, já que o país se prepara para a “transição energética” até 2050, quando todo o consumo de energia será feito sob formas renováveis. A Superuse tem escritórios na Holanda e na China.

WORKSHOP TRANSFORMAÇÕES URBANAS – RIO DE JANEIRO
QUANDO: 10 E 11 DE MARÇO
HORÁRIO: DAS 14H ÀS 18H
ONDE: DIA 10 SERÁ NO COWORKING STUDIO NO EDIFÍCIO AQWA (Avenid Binário do Porto, 299 – 4º andar – Porto Maravilha, Rio de Janeiro)
DIA 11 SERÁ NO HOTEL INTERCITY (Rua Cordeiro da Graça, 598 – Santo Cristo, Rio de Janeiro)
INSCRIÇÕES GRATUITAS PELO EMAIL: rafaelsaraiva@hotmail.com
VAGAS LIMITADAS

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