Renda insuficiente dos brasileiros vem antes da pandemia

Economista Gilberto Braga Foto: facebook

O preço dos principais alimentos utilizados na mesa dos brasileiros, teve o preço afetado. A inflação de outubro chegou a 0,94% trazendo apreensão aos consumidores que durante a pandemia do covid 19 tiveram que reduzir gastos ou cortá- los.  A taxa de desemprego em 13,8% levantado pelo IBGE é a mais alta desde 2012, aqueles que ainda tem a sua renda passam a guardá-la e tentam gastar menos. Porém, uma pesquisa feita pelo Instituto IPSOS em parceria com Alelo indica que em 2019 ( antes da pandemia) 46% dos brasileiros precisavam fazer renda extra para arcar com os custos de casa. Então para explicar como fica o poder de compra em 2020 o economista Gilberto Braga traz um panorama da situação financeira atual.

 

Pop Rio: Em 2019, 46% dos brasileiros ainda precisavam fazer uma renda extra, mesmo os que trabalhavam com carteira assinada, hoje com a inflação o poder de compra na pandemia está garantido­? 

Gilberto Braga: Na verdade o brasileiro perde o poder de compra  de uma forma agregado, o que os economistas chamam de análise macroeconômica mas isso, não necessariamente tem haver com a inflação. Porque a inflação a 4 ou a 3 e pouco ela é muito próxima. Isso não determina do ponto de vista coletivo uma mudança radical. O que definitivamente  afeta  a queda do poder de compra das famílias, é a diminuição do orçamento, isso vem por conta do desemprego, por conta desse momento da pandemia do covid 19. Então as pessoas estão desempregadas,  ficaram ainda mais desempregadas em termos já das pesquisas sociais de pesquisa do brasil, do IBGE, do governo. Muitos dos que estão empregados tiveram sua jornada de trabalho, o seu contrato de trabalho suspensos ou tiveram redução de jornada que determina uma diminuição do valor que essas pessoas recebem . Fora isso no período de covid 19, muitos trabalhadores que não tem renda fixa, portanto, não são necessariamente assalariados ou protegidos pela CLT perdem a sua remuneração ou porque são variáveis ou porque são completamente informais então são essas as pessoas e suas respectivas famílias que perdem o seu poder de compra.

P.R: Recentemente o copom fez o corte na taxa de juros do país. O senhor acredita que esse corte vai ajudar em alguma geração de renda?

G.B: Na verdade o corte tem a ver com esse cenário macroeconômico em que você mantém o juros altos, você não estimula a retomada das atividades porque fica mais interessante as pessoas que tem recurso investirem nos bancos, no mercado financeiro do que investir em atividades produtivas. Todos os países do mundo que estão com problema de covid que tem economia mais ou menos parecida com a do Brasil em termos de volume,  diversificação, de atividades e recursos estão diminuindo os juros e adotando políticas de incentivo. Então essa iniciativa do copom de diminuir a taxa básica, ela vem nessa direção porque a taxa básica é uma taxa primária que interfere, que influência é uma taxa de partida para todas as demais taxas de juros praticadas na economia, então quanto menor ela for, em tese menos taxas de juros serão cobradas nas atividades econômicas.

 

P.R: É possível que o mercado de trabalho se recupere em pouco tempo ou é uma questão do longo prazo?

G.B: Na verdade o que nós temos que considerar é que a pandemia faz o corte o antes e no depois, as pessoas estão dizendo que vai ser o novo normal  é que provavelmente vai estar acontecendo nos países que estão mais avançados no controle do vírus você retoma as atividades sem ter o controle absoluto sobre a doença o que isso quer dizer? nós ainda não temos uma vacina e quando tivermos ainda teremos que imunizar as populações, isso significa que vai levar um tempo, provavelmente mais de anos. Então, a retomada das atividades ela será lenta, progressiva e não vai se dar no mesmo ritmo, então não é como algo que você desligou da tomada veio a doença agora você libera coloca na tomada aí todos os seus aparelhos eletrônicos voltariam a funcionar como antes, não é isso,  às atividades nos escritórios, nas escolas todas ainda serão feitas com risco de contaminação então a economia vai voltar de uma forma muito gradual e você tem razão na sua pergunta a retomada de emprego, portanto, vai ter que seguir esse ritmo ou seja será a médio e longo prazo muito mais para longo prazo do que para médio prazo e curto prazo.  Simplesmente ainda nós teremos um desemprego muito grande.

P.R: Nessa crise vimos muitas empresas dispensando funcionários, funcionários que ficaram tiveram seu salário diminuído pela metade praticamente. a classe trabalhadora foi a maior prejudicada?

G.B: De uma forma geral todos são prejudicados,né? eu acho que antes de falar em economia  a gente tem que falar da saúde e não existe um real que você possa dizer, que você possa recuperar,  que vale a mais do que perder qualquer vida ou fazer com que qualquer pessoa possa ter enfermidade. Os países que lidaram melhor com a pandemia, isso historicamente desde as outras anteriores as mais recentes sugerem que paralisar as atividades econômicas e controlar a doença é mais importante, inclusive para economia porque a retomada quando ela vier será com nível maior de segurança e com risco menor de re contágio, ou seja, de uma nova onda em relação a doença. Então é muito mais interessante você estimular um investimento,uma prevenção nos meios de saúde para que você possa ter condições de lidar, fazer com que a economia as atividades financeiras e produtivas funcione com maior segurança do que simplesmente criar uma dicotomia de que tem que liberar tudo muito rapidamente e você comprometer todos os esforços que vêm sendo feitos no brasil com relação ao controle da covid 19. Essa é uma dicotomia falsa, embora obviamente e inerente que ao paralisar as atividades por conta do isolamento social as pessoas perdem empregos, perdem renda, perdem o convívio social isso é algo indiscutível.  Agora não há uma oposição entre economia e saúde como muitos tentam colocar o que existe é a necessidade de ter as atividades econômicas com segurança e mais, um investimento ruim, baixo, ineficiente, a gestão incompetente da área de saúde mostra o quanto nós fomos perdulários com próprio serviço público e não aparelhar mos de maneira correta a nossa estrutura de saúde no Brasil.

P.R: Teria alguma coisa que gostaria de acrescentar?

G.B:  Olha o que eu acho importante é chamar atenção que é sempre trazer vários ensinamentos para o Brasil e para os brasileiros na sua forma de se relacionar financeiramente, socialmente como é importante ter uma reserva financeira, não consumir todos os recursos, ver saídas para momentos emergenciais como este. Por outro lado o baixo investimento em saúde e investimento mal feito e gerido de maneira inadequada mostra que nós somos incompetentes em prevenir e mais ainda em remediar. Então é preciso que a gente repense o nosso modo de viver e talvez esta seja a grande missão que esse momento que nós estamos vivendo para se adaptar ao vírus.

 

Por Danielle Mariano

 

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