Pop Rio, Pop Folia – Resumo da Semana III

Desfile da Imperatriz em 1981, o último título do carnavalesco Arlindo Rodrigues, que será homenageado pela escola no próximo carnaval.

Reedições na Estácio de Sá e União da Ilha, Homenagem a Arlindo Rodrigues, disputa de sambas na Portela e Império Serrano, são os principais assuntos da semana ligados ao mundo das escolas de samba.

Fatumbi ou Festa Profana?

Milton Cunha na capa do enredo da União da Ilha de 1998 – Fatumbi, a Ilha de todos os Santos.

Muitos rumores de bastidores davam que a União da Ilha do Governador, para o carnaval de 2021, reeditaria o enredo “Festa Profana”, clássico samba de 1989 que rendeu à escola a sua melhor colocação da história – 3º lugar. Porém, essa informação jamais foi oficializada pela agremiação. Foi então que surgiu nas redes sociais que a escola poderia reeditar outro desfile: “Fatumbi – A Ilha de todos os santos” do ano de 1998. Afinal de contas, qual vai ser o enredo da União da Ilha do próximo carnaval?

A resposta veio nas redes sociais da escola na última quinta-feira, 22 de outubro. Será a Fatumbi, enredo de autoria do carnavalesco de Milton Cunha (imagem acima) e rendeu um dos melhores sambas da gloriosa safra da agremiação insulana.

Estácio de Sá reeditará “Uma Vez Flamengo…”

Enquanto a Ilha não sabe qual samba-enredo do passado ela levará novamente para a avenida, a Estácio de Sá, outra escola da Série A, divulgou na última segunda-feira (19/10) que fará a reedição do samba “Uma Vez Flamengo…”, apresentado em 1995, ano do centenário do clube. Nesse ano, a Estácio ficou em sétimo lugar.

O sucesso recente do clube mais popular do país, que foi campeão da Libertadores da América em 2019, e o atual momento financeiro do Flamengo pode proporcionar um certo patrocínio para a Estácio que, assim como tantas escolas do Rio de Janeiro, terão muitas dificuldades para preparar os desfiles devido à crise econômica provocada pela pandemia. Além que, homenagear uma instituição como o Flamengo, pode gerar uma boa mídia para a escola na fase pré-carnavalesca.

Disputas de samba em Madureira

Já está disponível no Youtube e em outras plataformas os sambas concorrentes no Império Serrano, que irá defender o enredo “Besouro Mangangá”, do carnavalesco Leandro Vieira. Compositores tarimbados como Samir Trindade, Luiz Carlos Máximo e Manú da Cuíca, Paulo César Feital e até o comediante Marcelo Adnet (que, inclusive, terá dois sambas no Grupo Especial de São Paulo) estão na disputa.

No caso da Portela, a disputa em si ainda não começou, porém as regras do jogo já estão à mesa. Dentre elas a mais polêmica: as parcerias estão proibidas de gravar clipes para divulgar os sambas. Essa decisão tem sido alvo de críticas, por exemplo, do produtor da Leme Filmes, Renê Barbosa, que apontou a importância dos clipes para dar visibilidade ao compositor, já que os clipes no Youtube costumam ultrapassar a marca das 500 mil visualizações, além que a produtora, segundo Renê, emprega sambistas que participam das gravações.

O vice-presidente da Portela, Fábio Pavão, declarou que essa proibição  dos videoclipes se deve à delicada situação financeira, ocasionada pela crise de saúde da Covid-19, e que por isso, gastos teriam que ser cortados.

Carnavalesco Arlindo Rodrigues será o enredo da Imperatriz

Arlindo Rodrigues, 1986.

Para fechar nossa série desta semana com chave de ouro (no melhor estilo barroco), a Imperatriz Leopoldinense, depois de muito mistério, confirmou qual enredo levará para o próximo carnaval. Com o título “Meninos, eu vivi… Onde canta o sabiá, cantam Dalva e Lamartine”, a carnavalesca (e professora) Rosa Magalhães homenageará, mais uma vez, um dos seus mestres – Arlindo Rodrigues.

Ele foi carnavalesco no apogeu revolucionário estético e temático do Salgueiro nos anos 60 e início dos anos 70, deu o primeiro título à Mocidade Independente (1979) e também concedeu às primeiras glórias à Imperatriz, nos anos de 1980 e 1981, graças ao estilo refinado e barroco de conceber carros e fantasias e um estilo romântico ao desenvolver seus enredos. Trabalhou na escola de ramos entre 1980 a 1983 e teve uma segunda passagem entre 1985 e 1987. Arlindo faleceu em 1987, vítima do vírus da Aids. Se ele estivesse vivo, assistiria essa justa homenagem com nada menos que 90 anos. Esse desfile marca o retorno da Imperatriz ao grupo especial após dar uma “passadinha” rápida na Série A e também é o retorno de Rosa Magalhães à escola depois de 11 carnavais.

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